Hoje eu escolho o perdão.
Não como quem esquece,
mas como quem decide não carregar mais.
Eu me perdoo por tudo que fiz tentando acertar e, mesmo assim, errei.
Me perdoo pelas vezes em que me abandonei para caber no mundo de alguém.
Pelas palavras que engoli, pelas que disse no impulso,
pelas versões minhas que eu precisei ser para sobreviver.
Eu me perdoo por não ter sabido antes.
Por não ter tido a maturidade que hoje eu tenho.
Por ter amado além do que eu conseguia sustentar.
Por ter ficado onde já não era mais lar.
E eu também me perdoo por tudo que deu certo —
porque até minhas conquistas, às vezes, eu diminuí.
Hoje eu olho pra mim com mais gentileza.
E eu perdoo quem me machucou.
Não porque foi pouco.
Não porque não doeu.
Mas porque eu não quero mais viver presa ao que me feriu.
Eu devolvo a cada um aquilo que é seu.
As faltas, os silêncios, as dores que não me pertencem.
E fico com o que é meu:
minha força, minha história, minha capacidade de recomeçar.
Hoje eu escolho um reset.
Um recomeço limpo, consciente, inteiro.
Sem carregar culpas antigas, sem reviver dores que já cumpriram seu papel.
Eu não sou mais quem eu era.
E tudo bem.
Eu me permito ser nova.
Mais leve.
Mais minha.
Hoje eu me abraço —
não apesar de tudo,
mas por causa de tudo.
E sigo.
Livre.