Eu amei por nós dois
Tem um tipo de despedida que não faz barulho.
Não tem grito, não tem acusação, não tem porta batendo.
Só um silêncio cheio de significado… e, às vezes, um último beijo.
Um beijo que não é impulso.
É consciência.
Eu já estive ali.
No exato lugar onde a gente percebe que chegou tão perto… mas não o suficiente.
Porque amar sozinho cansa — mas, antes de cansar, ensina.
Ensina que entrega não garante permanência.
Que intensidade não constrói futuro.
E que, às vezes, o sentimento é lindo… mas não é recíproco na mesma medida.
E tudo bem.
Tudo bem não ter dado certo.
Tudo bem ter acreditado até o fim.
Tudo bem ter ficado um pouco mais do que devia… quando o coração ainda via esperança onde já não existia construção.
O que não dá é pra diminuir o que foi.
Porque foi amor.
Foi verdadeiro.
Mesmo que tenha sido só de um lado.
E é aí que vem a parte mais difícil — e mais libertadora:
aceitar que, no fim, eu amei por nós dois.
Sem vergonha.
Sem arrependimento.
Sem precisar apagar nada.
Porque quem ama de verdade não perde.
Transborda.
E esse tipo de amor… marca.
Fica.
Ensina.
Talvez você lembre de mim.
Talvez não.
Mas eu sei de uma coisa:
eu fui inteira.
E, hoje, eu prefiro carregar a verdade de ter amado demais…
do que a dúvida de nunca ter me permitido sentir.
Porque aquele beijo não foi só um fim.
Foi um fechamento.
Um entendimento.
Um ponto final bonito… dentro do possível.
E alguns finais… mesmo doendo… ainda conseguem ser felizes.
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