segunda-feira, 20 de abril de 2026

Entre o que disseram que eu não sou e o que ainda posso ser

 Entre o que disseram que eu não sou e o que ainda posso ser

Assistindo ao Big Brother Brasil, me peguei chorando. Mas não era só sobre o programa. Era sobre mim também.

Sobre a Ana.

Ana é dessas mulheres que a gente olha e pensa: forte. Mas não aquela força fria, distante. É uma força que sangra, que sente, que continua mesmo depois de perder pedaços importantes de si. Ela perdeu o pai — o maior alicerce da vida dela — há pouco tempo. E ainda carrega a ausência da mãe desde os 16 anos. E, ainda assim, ela segue.

Sozinha… como ela mesma diz.

E foi aí que algo em mim doeu diferente.

Quando ouvi a tia Milena dizer que Ana seria uma mãe incrível, alguma coisa ecoou dentro de mim. Porque eu também já ouvi o contrário. Palavras que não se desfazem fácil, que grudam na pele da alma:

"Você não é uma boa mãe."

"Você não serve para ser mãe."

"Eu nunca escolheria uma mulher como você para ser mãe dos meus filhos."

Essas frases não desaparecem. Elas ficam. Mesmo quando a gente tenta seguir, mesmo quando a gente ri, mesmo quando a gente finge que já superou.

E então vem a vida… e coloca na nossa frente uma mulher como a Ana. Uma mulher julgada, uma mulher que se sente sozinha, mas que cuida de dois adolescentes que nem são seus… como se fossem.

E isso me fez parar.

Me fez pensar sobre o que é, de fato, ser mãe.

Será que ser mãe é só gerar?

Ou é cuidar, sustentar, amar, mesmo quando tudo dentro da gente está quebrado?

Depois dos 42, a vida começa a fazer perguntas mais profundas. Já não é mais sobre pressa, é sobre verdade. Sobre desejo real. Sobre o que ainda pulsa dentro da gente, apesar de tudo que foi dito… e doeu.

E eu me pergunto…

Por que mulheres tão fortes ainda se sentem tão sozinhas?

Por que mulheres que carregam tanto amor dentro de si são as mais julgadas?

Por que a gente acredita mais nas palavras que ferem do que nos gestos que provam o contrário?

Talvez porque, no fundo, ainda estamos aprendendo a nos enxergar com mais gentileza.

Hoje eu não tenho todas as respostas.

Mas tenho uma certeza pequena, quase sussurrada:

O que disseram sobre mim… não define o que eu sou capaz de ser.

E talvez…

só talvez…

a mulher que eu estou me tornando ainda vá me surpreender.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Hoje eu escolho o perdão.

  Hoje eu escolho o perdão. Não como quem esquece, mas como quem decide não carregar mais. Eu me perdoo por tudo que fiz tentando acertar...