Entre o que disseram que eu não sou e o que ainda posso ser
Assistindo ao Big Brother Brasil, me peguei chorando. Mas não era só sobre o programa. Era sobre mim também.
Sobre a Ana.
Ana é dessas mulheres que a gente olha e pensa: forte. Mas não aquela força fria, distante. É uma força que sangra, que sente, que continua mesmo depois de perder pedaços importantes de si. Ela perdeu o pai — o maior alicerce da vida dela — há pouco tempo. E ainda carrega a ausência da mãe desde os 16 anos. E, ainda assim, ela segue.
Sozinha… como ela mesma diz.
E foi aí que algo em mim doeu diferente.
Quando ouvi a tia Milena dizer que Ana seria uma mãe incrível, alguma coisa ecoou dentro de mim. Porque eu também já ouvi o contrário. Palavras que não se desfazem fácil, que grudam na pele da alma:
"Você não é uma boa mãe."
"Você não serve para ser mãe."
"Eu nunca escolheria uma mulher como você para ser mãe dos meus filhos."
Essas frases não desaparecem. Elas ficam. Mesmo quando a gente tenta seguir, mesmo quando a gente ri, mesmo quando a gente finge que já superou.
E então vem a vida… e coloca na nossa frente uma mulher como a Ana. Uma mulher julgada, uma mulher que se sente sozinha, mas que cuida de dois adolescentes que nem são seus… como se fossem.
E isso me fez parar.
Me fez pensar sobre o que é, de fato, ser mãe.
Será que ser mãe é só gerar?
Ou é cuidar, sustentar, amar, mesmo quando tudo dentro da gente está quebrado?
Depois dos 42, a vida começa a fazer perguntas mais profundas. Já não é mais sobre pressa, é sobre verdade. Sobre desejo real. Sobre o que ainda pulsa dentro da gente, apesar de tudo que foi dito… e doeu.
E eu me pergunto…
Por que mulheres tão fortes ainda se sentem tão sozinhas?
Por que mulheres que carregam tanto amor dentro de si são as mais julgadas?
Por que a gente acredita mais nas palavras que ferem do que nos gestos que provam o contrário?
Talvez porque, no fundo, ainda estamos aprendendo a nos enxergar com mais gentileza.
Hoje eu não tenho todas as respostas.
Mas tenho uma certeza pequena, quase sussurrada:
O que disseram sobre mim… não define o que eu sou capaz de ser.
E talvez…
só talvez…
a mulher que eu estou me tornando ainda vá me surpreender.
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