Tem um momento na vida em que a gente entende que ser forte não foi uma escolha.
Foi o que sobrou.
Eu senti isso assistindo aana , ouvindo a Ana Paula
Na dor exposta, na voz tremendo sem deixar de ser firme…
na forma como ela falou das perdas, do medo, do amor.
Ela perdeu a mãe cedo.
Depois, fez do pai o centro da vida.
E quando disse que não queria ver ele morto… eu entendi.
Porque existem amores tão grandes que a gente não suporta a ideia do fim
Mas a vida, às vezes, não pergunta se a gente está pronta.
Ser mulher, pra mim, também é isso.
É continuar mesmo quando falta um pedaço.
É aprender a se reconstruir em silêncio, enquanto o mundo segue barulhento lá fora.
É segurar o próprio coração com as mãos, porque ninguém mais sabe exatamente onde dói.
Eu perdi meu pai muito nova.
E ali, sem perceber, comecei a me tornar forte.
Não aquela força bonita de filme.
Mas a força real.
A que chora escondido.
A que sente saudade em dias aleatórios.
A que, às vezes, só queria voltar no tempo por alguns minutos… só pra reviver um abraço.
E mesmo assim… segue.
Porque ser forte não é não sentir.
É sentir tudo — e ainda assim escolher continuar.
Hoje, eu olho pra minha vida e vejo que ainda existe amor.
Na minha mãe.
Na minha história.
Em tudo que ficou de quem já se foi.
E talvez seja isso que nos mantém de pé.
A gente não é forte porque quer.
A gente é forte porque ama.
E porque, de algum jeito, o amor nunca vai embora — ele só muda de lugar dentro da gente.
Ser mulher é carregar perdas…
mas também é carregar a capacidade quase sagrada de continuar florescendo, mesmo depois de tudo.
E eu continuo.
Com saudade.
Com medo, às vezes.
Mas, acima de tudo… com amor.
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