quarta-feira, 15 de abril de 2026

“A versão de você que eu amei nunca existiu”

 Eu já fui amor.

Já fui história.

Já fui presença.

Já fui aquela que ficou… quando tudo já mostrava que não era pra ficar.


E hoje, olhando pra você, eu só penso:

como eu consegui amar tanto alguém que nem sabia o que era amor?


Não é raiva.

Não é mágoa.

É lucidez.


Eu me apaixonei pelo que eu inventei de você.

Pelos detalhes que eu aumentei,

pelas promessas que você nunca fez, mas eu jurei sentir,

pela versão sua que só existia dentro de mim.


Você me dizia que não sabia amar.

E eu, achando que era forte, achei que podia te ensinar.


Mas amor não se ensina.

Não se implanta.

Não se força.


Amor se reconhece.

Se sustenta.

Se cuida.


E você… nem de si sabia cuidar.


Hoje eu te vi.

Sem filtro. Sem saudade. Sem encanto.


A gargalhada que eu amava virou só um som qualquer.

A voz que me envolvia… hoje não diz nada.

O homem que eu admirei… hoje eu só observo de longe e penso:

“não me cabe mais”.


E pela primeira vez, nem as lembranças vieram me abraçar.

Porque até elas entenderam:

eu não pertenço mais àquela história.


Não me dói te ver.

Não me move te ouvir.

Não me chama voltar.


Porque eu finalmente entendi:

eu não perdi você.


Eu me encontrei.


E hoje, eu não amo mais o que eu inventei.

Eu escolho o que é real.


E o real…

é que você nunca soube amar do jeito que eu merecia.

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