Tem momentos em que a gente simplesmente para. Para de correr, para de responder, para de se explicar. E pensa.
Pensar no começo do zero tem um peso diferente. Um novo imóvel, um novo emprego, um novo caminho. Tudo é estranho no início. O ar tem outro cheiro, as paredes têm outra cor, os sons não são familiares. Nada pertence ainda — nem o espaço, nem a gente.
Mas, aos poucos, algo mexe por dentro. A gente deixa marcas invisíveis. Risadas, cansaços, pequenas vitórias, dias difíceis. E quando sai daquele lugar, ele não sai da gente. Ficam lembranças, momentos, histórias que não cabem em caixas de mudança.
É curioso como o passado insiste em conversar com o futuro. Às vezes a gente tenta imaginá-los juntos: “e se eu tivesse feito diferente?”, “e se eu pudesse levar aquilo comigo?”. Talvez mudasse tudo. Talvez não mudasse nada. Mas o exercício em si já diz muito sobre quem somos agora.
O passado não volta como era. Ele volta como memória, como aprendizado, como cheiro que a gente reconhece de olhos fechados. E o futuro… o futuro sempre chega em branco, pedindo coragem para ser preenchido de novo.
Talvez a graça esteja exatamente aí: não em refazer caminhos, mas em perceber que cada começo nos transformou. E que pensar “como seria” não é saudade do que foi, é consciência de tudo que nos trouxe até aqui.
Nenhum comentário:
Postar um comentário