Quando o mundo desacelera, a chuva lava a alma
O mundo nos dá oportunidades.
O céu também.
E quando não está relampejando, talvez o convite seja outro: parar, apreciar e lavar a alma.
A gente vive correndo. Correndo contra o tempo, contra o medo, contra o que acha que precisa ser. E esquece das coisas simples — aquelas que não custam nada e ainda assim curam.
Um banho de chuva, por exemplo.
Tão simples.
Tão esquecido.
Tão bom.
A chuva tem o poder de nos levar de volta à infância. Àquela época em que ouvir “entra, menino, vai ficar gripado” ou “entra, menina, tá chovendo” era comum. E mesmo assim, a gente ficava. Brincava. Ria. Sentia a água tocar o rosto, o corpo, a alma — sem pressa, sem medo, sem proteção excessiva.
Hoje, usamos guarda-chuva. Capas. Paramentos. Barreiras.
E, sem perceber, deixamos de sentir a chuva.
Não sentimos mais o frio bom na pele.
Não sentimos mais o cheiro da terra molhada.
Não sentimos mais o céu nos tocando.
Talvez crescer também seja isso: aprender quando se proteger… e quando se permitir molhar.
Porque às vezes, tudo o que a alma precisa não é correr —
é ficar.
É sentir.
É lembrar quem fomos, para não esquecer quem somos.
De vez em quando, deixe a chuva te alcançar.
O corpo seca.
A alma agradece
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