domingo, 1 de fevereiro de 2026

Quando o mundo desacelera, a chuva lava a alma

 Quando o mundo desacelera, a chuva lava a alma

O mundo nos dá oportunidades.

O céu também.

E quando não está relampejando, talvez o convite seja outro: parar, apreciar e lavar a alma.

A gente vive correndo. Correndo contra o tempo, contra o medo, contra o que acha que precisa ser. E esquece das coisas simples — aquelas que não custam nada e ainda assim curam.

Um banho de chuva, por exemplo.

Tão simples.

Tão esquecido.

Tão bom.

A chuva tem o poder de nos levar de volta à infância. Àquela época em que ouvir “entra, menino, vai ficar gripado” ou “entra, menina, tá chovendo” era comum. E mesmo assim, a gente ficava. Brincava. Ria. Sentia a água tocar o rosto, o corpo, a alma — sem pressa, sem medo, sem proteção excessiva.

Hoje, usamos guarda-chuva. Capas. Paramentos. Barreiras.

E, sem perceber, deixamos de sentir a chuva.

Não sentimos mais o frio bom na pele.

Não sentimos mais o cheiro da terra molhada.

Não sentimos mais o céu nos tocando.

Talvez crescer também seja isso: aprender quando se proteger… e quando se permitir molhar.

Porque às vezes, tudo o que a alma precisa não é correr —

é ficar.

É sentir.

É lembrar quem fomos, para não esquecer quem somos.

De vez em quando, deixe a chuva te alcançar.

O corpo seca.

A alma agradece

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