segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

2 de fevereiro — Minha Mãe do Mar

Ando na areia, olho pro mar…

E não é poesia — é hábito da alma.

É onde eu vou quando preciso lembrar quem eu sou, quando o barulho do mundo confunde minha cabeça.

Minha mãe, hoje é teu dia.

E eu não venho te pedir nada grande, não.

Venho como filha cansada às vezes, mas confiante.

Como quem já aprendeu que o colo do mar não falha.

“Ouço a sereia cantando alegre pra mãe Iemanjá…”

E eu sorrio, porque sei que esse canto também me chama.

Chama pra acalmar, pra silenciar, pra confiar.

Nas tuas águas eu me reconheço.

Profunda quando preciso ser.

Calma quando escolho respirar.

Tempestade quando a vida pede coragem.

Tu és dona das cabeças, e só tu sabes quantas vezes a minha precisou ser organizada por dentro.

Quando a rede da vida parece vazia,

quando o esforço pesa mais que o retorno,

sou eu também que me ajoelho na areia, em pensamento, em fé.

“Sou tua filha, minha mãe…

Vem me socorrer.”

Não por desespero —

mas por entrega.

Tu sempre soubeste me ensinar sem palavras.

Me ensinaste que nem toda maré é cheia,

que recolher também é sabedoria,

que esperar não é perder tempo.

E quando eu volto pra casa depois de falar contigo,

volto diferente.

Às vezes com respostas.

Às vezes só com paz.

Mas nunca vazia.

Teu manto já me cobriu muitas vezes,

mesmo quando eu não percebi.

Teu cuidado já me alcançou em silêncio,

teus caminhos já se abriram quando eu achei que era fim.

Hoje eu só te agradeço.

Pela força.

Pela intuição.

Pela sensibilidade que carrego — herança tua.

Que tu sigas me guiando, minha mãe.

Lavando o que pesa, alinhando o que confunde,

me ensinando a confiar no fluxo da vida.

Porque filha tua sabe:

O mar não promete facilidade.

Mas promete verdade.

Odoyá, minha mãe. 🌊💙

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