sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Eu te amei, mas precisei ir embora para não morrer”

 Chegou a hora do adeus.

Não aquele dramático, gritado, feito em cena.

Mas o adeus silencioso, decidido, adulto.

Aquele que vira a página sem rasgar o livro.

Separei tudo que era seu.

As palavras, os planos, os sonhos que não vingaram.

Guardei apenas as lágrimas —

porque elas também contam a verdade do que foi vivido.

Em algum ponto do caminho, você virou um estranho.

E eu virei alguém que você já não conseguia alcançar.

Doía em mim.

Doía em você.

Mas não havia mais nada que nos prendesse,

a não ser o medo de soltar.

Então eu soltei.

Apaguei cada passo teu dentro de mim.

Não por raiva.

Mas porque só se cura quem tem coragem de dizer adeus de verdade.

Talvez amanhã, longe, em outro lugar,

tudo isso finalmente passe.

Eu entendi uma coisa que mudou tudo:

eu não pertencia a você.

Talvez eu até quisesse.

Mas não conseguia mais me ver vivendo ao teu lado

sem desaparecer de mim.

Você ficou no quarto,

lembrando do meu jeito de falar, de andar, de vestir.

Eu fiquei no mundo,

aprendendo a existir sem pedir licença.

Se algum dia te disserem que fui embora sem mencionar seu nome,

acredite.

Cansei de esperar por alguém que eu sabia que não viria.

Cansei de amar sozinha.

Joguei fora cartas, promessas, versões minhas que se moldaram demais.

Peguei meu rumo.

Não para esquecer você —

mas para parar de me ferir tentando te manter.

Eu segui.

Me formei, cresci, cultivei cultura, valores, presença.

Aprendi que amor não é ausência disfarçada de intensidade.

Aprendi que quem ama, fica.

Você seguiu outro caminho.

Buscando pessoas rasas, noites vazias, distrações que aliviam e adoecem.

Cada fuga parecia liberdade,

mas te afundava um pouco mais.

E mesmo assim, eu não te odeio.

Se quiser, pode até me odiar.

Pode me difamar, me apagar, me reescrever errado.

Só não apague a verdade:

eu amei você.

Fui ao céu contigo.

E ao inferno também.

E aprendi, da forma mais dura,

que amar é fácil —

difícil é esquecer quando se ama de verdade.

Hoje eu não volto.

Não porque não senti.

Mas porque senti demais.

Você foi amor.

Mas também foi doença.

E foi a minha tristeza.

Soltar não foi fraqueza.

Foi sobrevivência.

E se um dia a vida nos mostrar os sonhos que perdemos,

que seja de longe.

Inteiros.

Curados.

Porque dizer adeus, às vezes,

não é o fim do amor.

É o começo do respeito por si mesma.

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