Tem coisas que não são sobre uma pessoa só. São sobre muitas. Sobre quase todas.
Ser mulher, muitas vezes, é viver sob julgamento constante. Julgam o corpo, as escolhas, o silêncio, o excesso de fala. Julgam quando a gente fica, quando a gente vai embora, quando a gente aguenta e até quando decide não aguentar mais.
E hoje, ouvindo uma mulher falar sobre o que viveu no puerpério, fica impossível não sentir. Porque o puerpério não é só um período — é uma travessia. É quando o corpo ainda está em pedaços, o emocional à flor da pele e a alma tentando entender quem você se tornou depois de tudo.
E é aí que entra algo que quase ninguém fala com a seriedade que deveria: escolha com quem você divide a vida.
Não é sobre atacar ninguém. É sobre consciência.
Porque quando a gente passa por um momento tão vulnerável — seja um puerpério, uma perda, um recomeço — quem está ao nosso lado faz toda a diferença entre afundar ou conseguir respirar.
Eu sei disso porque vivi.
Quando eu perdi, eu não tive estrutura. Eu não tive o acolhimento que precisava. Eu passei o que ninguém deveria passar. Foi dor em cima de dor. Foi silêncio onde precisava ter abraço. Foi solidão quando tudo em mim gritava por cuidado.
E isso marca.
Marca o corpo, marca a mente, marca a forma como a gente passa a ver o amor.
Por isso, se tem algo que eu diria, sem romantizar nada, é: escolha bem seus parceiros. Escolha quem fica quando não é bonito. Quem segura sua mão quando você não consegue nem se segurar. Quem entende que amor também é responsabilidade emocional.
Porque o puerpério é pesado. A perda é devastadora. E a vida, às vezes, já machuca demais sozinha.
A gente não precisa de mais dor vinda de quem deveria ser abrigo.
Que a gente aprenda, aos poucos, a se escolher primeiro. E depois, com mais consciência, escolher quem merece caminhar ao nosso lado.
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