terça-feira, 28 de abril de 2026

Tem coisas que não são sobre uma pessoa só. São sobre muitas. Sobre quase todas.

 

Tem coisas que não são sobre uma pessoa só. São sobre muitas. Sobre quase todas.

Ser mulher, muitas vezes, é viver sob julgamento constante. Julgam o corpo, as escolhas, o silêncio, o excesso de fala. Julgam quando a gente fica, quando a gente vai embora, quando a gente aguenta e até quando decide não aguentar mais.

E hoje, ouvindo uma mulher falar sobre o que viveu no puerpério, fica impossível não sentir. Porque o puerpério não é só um período — é uma travessia. É quando o corpo ainda está em pedaços, o emocional à flor da pele e a alma tentando entender quem você se tornou depois de tudo.

E é aí que entra algo que quase ninguém fala com a seriedade que deveria: escolha com quem você divide a vida.

Não é sobre atacar ninguém. É sobre consciência.

Porque quando a gente passa por um momento tão vulnerável — seja um puerpério, uma perda, um recomeço — quem está ao nosso lado faz toda a diferença entre afundar ou conseguir respirar.

Eu sei disso porque vivi.

Quando eu perdi, eu não tive estrutura. Eu não tive o acolhimento que precisava. Eu passei o que ninguém deveria passar. Foi dor em cima de dor. Foi silêncio onde precisava ter abraço. Foi solidão quando tudo em mim gritava por cuidado.

E isso marca.

Marca o corpo, marca a mente, marca a forma como a gente passa a ver o amor.

Por isso, se tem algo que eu diria, sem romantizar nada, é: escolha bem seus parceiros. Escolha quem fica quando não é bonito. Quem segura sua mão quando você não consegue nem se segurar. Quem entende que amor também é responsabilidade emocional.

Porque o puerpério é pesado. A perda é devastadora. E a vida, às vezes, já machuca demais sozinha.

A gente não precisa de mais dor vinda de quem deveria ser abrigo.

Que a gente aprenda, aos poucos, a se escolher primeiro. E depois, com mais consciência, escolher quem merece caminhar ao nosso lado.

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