terça-feira, 7 de abril de 2026

Hoje, meu lado mais racional gritou.

 

Hoje, meu lado mais racional gritou.

E não foi baixo, não foi sutil… foi aquele grito que vem de dentro, cansado de ser ignorado. Trouxe consciência. Trouxe uma certa frieza também. E eu parei pra pensar: eu não sou fria… eu sou coração. Sempre fui. Intensamente.

Mas a vida… a vida não ensina.
Ela não ensina a amar, não ensina a se posicionar, não ensina a se escolher…
mas cobra.

Cobra que a gente saiba viver em sociedade,
cobra que a gente saiba se relacionar,
cobra que a gente saiba não desmoronar.

E a gente cresce assim… aprendendo a caber.
A agradar.
A não incomodar.
A se moldar pra ser aceito.

Será que se humilhar pra caber na vida de alguém é amor?
Será que isso faz bem pra você?
Será que você está sendo coerente com o seu coração… e com o seu psicológico?

Hoje eu lembrei da Amanda adolescente. Aquela que se sentia estranha, deslocada… e que, por muito tempo, se diminuía pra ser aceita. Eu fiz isso por anos. Mas sempre existia uma força dentro de mim que não deixava isso durar pra sempre.

E, ainda assim… com 41 anos, eu me vi voltando praquele lugar.
Me humilhei. Tentei caber onde não cabia. Tentei ser o que não era. Aceitei migalhas achando que eram momentos de felicidade… quando, na verdade, a felicidade nem era minha.

Era do outro.

Porque viver em sociedade nunca foi só sobre estar com o outro…
sempre foi, também, sobre não se abandonar.

E é aí que mora o conflito.

Como pertencer sem se anular?
Como amar sem se diminuir?
Como estar com alguém sem deixar de estar consigo?

Ninguém ensina.
E mesmo assim… a vida cobra que a gente saiba.

Mas hoje, dia 07/04, eu ouvi meu racional — aquele que já vinha gritando há tanto tempo — e finalmente disse: basta.

Se não me aceita como eu sou… então não me merece.
E eu também não quero mais.

Prefiro a minha própria companhia do que a dor de me diminuir.

Amizades vêm e vão. Relacionamentos também. Não era pra ser assim… mas, às vezes, é. E tudo bem. Porque no meio disso tudo, eu lembrei de algo essencial:

Eu sou uma boa companhia.

Um cinema não precisa ser a dois.
Uma pizza não precisa ser dividida.
A vida não precisa de alguém do lado pra ser vivida.

Às vezes, você se basta.

Dói? Dói.
Tem dias que eu choro sozinha por não ter com quem dividir o que sinto. E tudo bem também. Chorar é humano. Sentir falta é humano.

A vida não ensina a gente a socializar… mas ensina, de um jeito ou de outro, a se escolher.

E hoje… eu me escolhi.

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