quinta-feira, 30 de abril de 2026

Ela aprendeu a não se diminuir mais

 Ela aprendeu a não se diminuir mais

Teve um tempo em que ela se encolhia.

Não era falta de vontade de viver — era excesso de medo.

Medo do olhar dos outros, medo de ser mal interpretada, medo de ser “demais”.

Então ela se moldava.

Falava mais baixo, ria mais contido, sentia tudo pela metade.

Até que um dia… cansou.

Cansou de caber onde nunca foi casa.

Cansou de pedir permissão pra existir.

E foi aí que nasceu essa versão acelerada.

Mas não se engane:

essa aceleração não veio do nada.

Ela foi construída em silêncio, nas noites em que ninguém viu o quanto doeu, nas vezes em que ela engoliu o choro, nas vezes em que foi deixada, ignorada, diminuída.

Hoje, quando ela entra em um lugar, não é sobre chamar atenção.

É sobre não se esconder mais.

E, acima de tudo, ela decidiu: permita-se ser mal vista.

Porque quem nunca teve coragem de viver de verdade sempre vai tentar diminuir quem tem.

Ela dança, se movimenta, se expressa — e sim, é corpo com corpo, boca com boca, calor com presença.

Mas por trás disso existe algo muito maior: reconexão.

Reconexão com o próprio corpo.

Com o próprio desejo.

Com o direito de sentir sem culpa.

Chamam de descontrolada.

Mas ninguém viu o quanto ela precisou se controlar antes.

Chamam de intensa.

Mas não sabem o quanto ela já se anulou.

Chamam de livre…

E dessa vez, estão certos.

Ela aprendeu que nem todo olhar merece resposta.

Que nem todo “oi” precisa virar história.

E que dizer “tchau” também é um ato de amor próprio.

Ela já não se apega à ilusão fácil.

Já não se perde em qualquer presença.

Porque agora, ela sabe:

não é sobre quem quer ela —

é sobre quem está à altura de permanecer.

Ela pode ter 1,67 de altura, mas não se mede presença em centímetros.

E quem tenta, não entende nada.

Ela virou movimento.

Virou escolha.

Virou presença.

E talvez a maior revolução seja essa:

ela não vive mais para ser aceita.

Ela vive para se sentir viva.

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