Talvez o vento não leve… mas eu preciso aprender a deixar ir
O vento toca o meu rosto
e, por um instante, eu entendo:
o tempo não para por ninguém.
Ele leva os dias,
leva certezas,
leva pessoas que um dia pareceram permanentes.
Mas não leva tudo.
Porque talvez tenha sido só um beijo…
só um momento…
só um quase.
Mas então por que você ainda ficou em mim?
Teu cheiro não me deixa em paz,
teu sorriso aparece do nada,
e eu continuo aqui…
presa entre o que foi
e o que nunca chegou a ser.
E talvez o silêncio nunca me perdoe
por ter dito que te amo.
Porque eu disse.
E senti.
E me entreguei mesmo sem saber se havia onde cair.
Sou vítima de mim mesma,
das histórias que criei,
das expectativas que plantei
em um terreno que nunca foi meu.
Eu tentei entender a vida…
mas nem tudo se explica.
Alguns amores não acabam —
eles só não acontecem.
A vida é assim… dizem.
E por um tempo eu achei
que precisava me acostumar com a ausência,
com o vazio,
com não ter você.
Mas não.
Nem tudo o tempo leva.
O que eu senti… fica.
Fica na forma como eu me abri,
na coragem de sentir sem garantias,
na intensidade que eu achei que tinha perdido em mim.
E mesmo assim…
eu te deixo livre.
Livre pra ir,
livre pra não voltar,
livre até pra nunca escolher ficar.
Porque amor de verdade não prende —
mas também não implora.
Só que existe uma parte de mim,
quieta, quase escondida,
que ainda sussurra:
“talvez não seja nessa vida…”
E isso é bonito.
Mas também é perigoso.
Porque eu não posso viver esperando
um futuro que não existe.
Não posso continuar perguntando
se você também pensou em nós
enquanto eu sou a única que ainda está aqui.
Então hoje eu escolho diferente.
Eu guardo o que foi real,
mas paro de alimentar o que nunca foi recíproco.
Eu reconheço o amor que senti,
mas devolvo pra mim
o lugar que eu te dei.
Porque no fim…
o que o vento não leva
não é você.
Sou eu.
E talvez — só talvez —
essa seja a primeira vez
que eu realmente começo a me escolher.
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