Depois de tantos relacionamentos, eu aprendi uma coisa que ninguém gosta de dizer em voz alta:
o perigo nem sempre vem de um estranho.
Eu já fui questionada sobre a minha própria dor.
Sobre o meu próprio abuso.
Sim… eu fui molestada.
E, mesmo assim, duvidaram de mim.
Disseram:
“Mas você não lembra?”
“Você estava dormindo?”
“Tem certeza?”
Como se a minha dor precisasse de prova.
Como se o meu silêncio fosse mentira.
E o mais assustador?
Quem me feriu… nem era quem dizia ser.
Se dizia maior. Não era.
Se dizia seguro. Não era.
Hoje, eu olho ao redor e vejo notícias, histórias, mulheres sendo mortas, violentadas, desacreditadas… todos os dias.
E isso não é distante.
Isso não é “lá fora”.
Isso tá perto.
Às vezes, perto demais.
Hoje está difícil confiar até em quem está do lado.
Imagina em quem a gente não conhece.
“Vai com sua amiga, não dá nada.”
Não. Não é assim.
Você não sabe como funciona a mente humana.
Você não sabe o que alguém é capaz de esconder.
Você não sabe o que pode acontecer no caminho, no meio, no depois.
E não é paranoia.
É sobrevivência.
Às vezes eu paro e penso nas crianças que estão crescendo nesse caos…
Nos ensinamentos que ainda dizem que a mulher tem que se calar, obedecer, suportar.
E dói.
Dói saber que alguém que você amou, que você confiou, pode se tornar a pessoa que te machuca.
Que pode levantar a mão.
Que pode ultrapassar todos os limites.
Nunca aconteceu comigo nesse nível.
Mas o medo… esse já existe.
E ele cresce quando eu penso:
como colocar um filho no mundo…
num mundo onde ser mulher ainda é um risco?
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