segunda-feira, 2 de março de 2026

: O perigo não tem rosto

 

Depois de tantos relacionamentos, eu aprendi uma coisa que ninguém gosta de dizer em voz alta:

o perigo nem sempre vem de um estranho.

Eu já fui questionada sobre a minha própria dor.

Sobre o meu próprio abuso.

Sim… eu fui molestada.

E, mesmo assim, duvidaram de mim.

Disseram:

“Mas você não lembra?”

“Você estava dormindo?”

“Tem certeza?”

Como se a minha dor precisasse de prova.

Como se o meu silêncio fosse mentira.

E o mais assustador?

Quem me feriu… nem era quem dizia ser.

Se dizia maior. Não era.

Se dizia seguro. Não era.

Hoje, eu olho ao redor e vejo notícias, histórias, mulheres sendo mortas, violentadas, desacreditadas… todos os dias.

E isso não é distante.

Isso não é “lá fora”.

Isso tá perto.

Às vezes, perto demais.

Hoje está difícil confiar até em quem está do lado.

Imagina em quem a gente não conhece.

“Vai com sua amiga, não dá nada.”

Não. Não é assim.

Você não sabe como funciona a mente humana.

Você não sabe o que alguém é capaz de esconder.

Você não sabe o que pode acontecer no caminho, no meio, no depois.

E não é paranoia.

É sobrevivência.

Às vezes eu paro e penso nas crianças que estão crescendo nesse caos…

Nos ensinamentos que ainda dizem que a mulher tem que se calar, obedecer, suportar.

E dói.

Dói saber que alguém que você amou, que você confiou, pode se tornar a pessoa que te machuca.

Que pode levantar a mão.

Que pode ultrapassar todos os limites.

Nunca aconteceu comigo nesse nível.

Mas o medo… esse já existe.

E ele cresce quando eu penso:

como colocar um filho no mundo…

num mundo onde ser mulher ainda é um risco?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Hoje eu escolho o perdão.

  Hoje eu escolho o perdão. Não como quem esquece, mas como quem decide não carregar mais. Eu me perdoo por tudo que fiz tentando acertar...