Um ano que não aconteceu, mas existiu
Hoje talvez fizesse um ano.
E é curioso como algumas histórias não chegam à data final, mas ainda assim permanecem inteiras dentro da gente.
Quando penso em nós, o primeiro olhar não foi exatamente um olhar. Foi naquela parte da padaria onde, de repente, alguém reparou numa santa que sempre esteve ali. Ninguém notava. Mas quando notamos… virou a santa que gira. Engraçado como algumas presenças são assim: ficam invisíveis até o momento certo de serem vistas.
Lembro do dia em que choveu demais. Choveu de verdade, choveu no corpo, choveu no humor. Eu reclamando, brava, ensopada. E ele rindo, com aquela leveza que desmonta qualquer mau humor, dizendo:
“Tá reclamando de quê, garota?”
Naquele dia, a chuva virou memória boa.
Teve também o apelido improvável: garota do tóxico. Tudo porque resolvemos cheirar produtos na prateleira, como duas crianças curiosas, rindo de absolutamente nada — e de tudo ao mesmo tempo.
As conversas… intermináveis.
Os sonhos… enormes demais pra caber em frases.
Cada lembrança dessas me arranca um sorriso, porque marcou. Não passou em branco. Viveu.
Os balões que ele estourava só pra me ver mandar parar.
A guerra de estalinho, ele rindo igual criança, sem medo de parecer bobo, sem economizar alegria.
Era tão vivo que às vezes parecia exagero — mas era só verdade.
A história é grande demais pra um texto. Dá um livro inteiro.
Foram nove meses longos de pura alegria. Intensos, leves, cheios de riso. Talvez hoje fosse um ano. Mas o destino quis de outro jeito.
E tudo bem.
Não guardo os momentos ruins. Não porque eles não existiram, mas porque momentos ruins não definem histórias — eles amadurecem pessoas. O que ficou foi o que precisava ficar: a prova de que foi real.
Alguns amores não chegam ao “para sempre”, mas chegam ao necessário. Chegam pra ensinar, pra despertar, pra lembrar que a vida também pode ser leve.
Hoje eu lembro.
Sorrio.
Agradeço.
E sigo.
Porque o que foi alegria não pesa.
E o que amadurece, liberta.
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