Lá vem o looping.
Não porque eu quero — mas porque algumas pessoas só sabem repetir o mesmo discurso quando não conseguem lidar com o que está à frente delas.
Lá vem a frase ensaiada:
“Você não é para ser mãe dos meus filhos.”
“Você não é boa companhia para a minha filha.”
Curioso como esse tipo de fala quase nunca vem acompanhada de autocrítica.
Nunca é: “Eu não sei lidar com uma mulher inteligente.”
Nunca é: “Eu não tenho estrutura emocional para alguém que pensa.”
Não.
É sempre mais fácil transformar a mulher em problema.
Quando a mulher tem opinião, vira “difícil”.
Quando tem letramento, vira “complicada”.
Quando não aceita pouco, vira “inadequada”.
A verdade é simples e indigesta:
quem enxerga defeito na inteligência alheia geralmente está tentando esconder a própria limitação.
Não é sobre maternidade.
Não é sobre convivência.
É sobre controle.
É sobre não suportar alguém que não se encaixa no roteiro medíocre que foi escrito para ela.
E eu não falhei em nada.
Eu apenas não servi ao conforto emocional de quem precisava que eu fosse menor.
O looping existe até o dia em que a gente entende:
não é rejeição — é livramento.
E seguir em frente, nesse caso, não é perda.
É lucidez.
Nenhum comentário:
Postar um comentário