quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Lá vem o looping.

 

Lá vem o looping.

Não porque eu quero — mas porque algumas pessoas só sabem repetir o mesmo discurso quando não conseguem lidar com o que está à frente delas.

Lá vem a frase ensaiada:
“Você não é para ser mãe dos meus filhos.”
“Você não é boa companhia para a minha filha.”

Curioso como esse tipo de fala quase nunca vem acompanhada de autocrítica.
Nunca é: “Eu não sei lidar com uma mulher inteligente.”
Nunca é: “Eu não tenho estrutura emocional para alguém que pensa.”

Não.
É sempre mais fácil transformar a mulher em problema.

Quando a mulher tem opinião, vira “difícil”.
Quando tem letramento, vira “complicada”.
Quando não aceita pouco, vira “inadequada”.

A verdade é simples e indigesta:
quem enxerga defeito na inteligência alheia geralmente está tentando esconder a própria limitação.

Não é sobre maternidade.
Não é sobre convivência.
É sobre controle.
É sobre não suportar alguém que não se encaixa no roteiro medíocre que foi escrito para ela.

E eu não falhei em nada.
Eu apenas não servi ao conforto emocional de quem precisava que eu fosse menor.

O looping existe até o dia em que a gente entende:
não é rejeição — é livramento.

E seguir em frente, nesse caso, não é perda.
É lucidez.

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