Hoje senti saudade de alguém,
mas não sei de quem.
É estranho como a saudade nem sempre tem rosto.
Às vezes ela vem como cheiro —
um perfume no ar,
um fim de tarde morno,
o som distante de uma risada que não sei mais identificar.
Tem saudade que não aponta um nome,
não pede volta,
não exige explicação.
Ela só chega…
e ocupa o peito com delicadeza e peso ao mesmo tempo.
São lembranças que têm cor,
têm textura,
têm vontade.
Mas não são exatas.
Não cabem em datas nem em histórias completas.
Vontade de voltar a lugares
não para reviver,
mas apenas para sentir.
Sentar ali,
olhar em volta,
e deixar o coração reconhecer algo que a memória não alcança.
Talvez não seja alguém.
Talvez seja quem eu fui.
Ou um tempo em que tudo ainda estava por acontecer.
Algumas lembranças não ficam para serem entendidas.
Ficam apenas para lembrar
que houve vida,
houve sentimento,
houve amor —
mesmo que hoje ele não tenha nome.
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