Alice e a Rainha dos Corações Devorados
Alice caiu novamente, mas desta vez não havia chão, apenas sombras que respiravam e corações que pulsavam com segredos.
O labirinto a envolvia, mas algo dentro dela não temia: sabia que cada curva era um teste, cada sussurro um jogo.
Ele estava lá, invisível e presente, como Lestat:
sedutor, intenso, carente, perigoso — mas nunca verdadeiro.
Cada palavra dele era doce e venenosa, cada gesto parecia cuidado, mas escondia mentira, manipulação e egoísmo.
Ele sorria e fazia promessas que evaporavam antes de tocar o chão, e Alice sentia o fogo de seu desejo e a frieza de sua falsidade.
No centro do labirinto, a Rainha de Copas esperava.
Não sorria para a inocência.
Ela era Akasha e Rainha de Copas juntas:
sedutora, poderosa, empoderada, impossível de possuir.
Ela olhou para Alice e disse sem palavras:
“O jogo é dele. Mas o poder é seu. Sempre será seu.”
Alice viu como ele voltava sempre:
não por amor
não por arrependimento
mas pelo conforto que ela dava
pelo fogo que acendia dentro dele
pelo controle que pensava ter sobre sua sombra
Ele fingia cuidado, preocupação, paixão — mas era apenas eco da própria necessidade, mascarado de afeto.
Cada mentira dele era um coração devorado, uma tentativa de confundir, de ferir, de manter Alice dentro do ciclo.
Mas Alice não era mais apenas a menina do buraco.
Ela era fogo, sombra e rainha, e não podia ser enganada nem devorada.
Ela sorriu no escuro, sabendo:
Ele pode voltar mil vezes, manipular, mentir, tentar seduzir…
Mas ela nunca mais seria peça do tabuleiro dele.
O labirinto continuava pulsando, os corações gritavam, as sombras tentavam prender.
Mas Alice caminhava inteira, empoderada, sedutora, intocável, absorvendo sua própria força e deixando o jogo dele sem efeito sobre sua alma.
Ele podia fingir, mentir e tentar quebrá-la —
mas a Rainha dos Corações Devorados não entrega sua chama.
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