domingo, 22 de março de 2026

Crescer é uma coisa estranha

 Crescer é uma coisa estranha.


A gente passa a vida achando que vai ficar mais forte… mas ninguém conta que, junto com a força, vem um cansaço silencioso. Um tipo de exaustão que não aparece no corpo, mas mora no peito.


E às vezes eu me sinto assim…

cansada.


Cansada de ser forte o tempo todo.

Cansada de entender tudo, de engolir tudo, de seguir em frente como se fosse fácil.


E no meio desse cansaço… eu viro uma espécie de Alice.

Andando por um mundo meio torto, meio confuso, tentando fazer sentido das coisas… tentando, de algum jeito, ainda acreditar que dá pra ser feliz aqui.


Mas tem dias que tudo parece estranho demais.

As pessoas parecem distantes demais.

E eu… me sinto sozinha demais.


E é nesses dias que as lembranças vêm.


Não as grandes histórias.

Mas os detalhes bobos… quase ridículos… e, ainda assim, tão vivos.


Eu lembro da gente cheirando amaciante…

e rindo porque, de algum jeito, aquilo parecia fedido.

E quanto mais a gente ria, mais graça tinha.


Eu lembro das risadas sem motivo.

Das coisas pequenas que viravam grandes…

como se o mundo, por alguns minutos, coubesse só ali.


Eu lembro das cosquinhas…

das gargalhadas que vinham sem pedir licença…

da leveza de não precisar pensar em nada.


Eu lembro de momentos tão simples…

mas que tinham algo que hoje parece tão raro: presença.


E talvez seja isso que mais dói.


Não é nem a falta de alguém…

é a falta daquilo que existia dentro de mim quando eu estava ali.


Uma versão minha mais leve.

Mais aberta.

Mais viva.


Hoje eu continuo aqui.

Com minha solitude, meu canto, minha vida.


E eu amo isso. Eu amo ser só minha.


Mas também tem um lado meu…

que às vezes só queria não precisar ser tão forte.


Que às vezes aceitaria até uma “migalha”…

não por se achar pouco…

mas porque, por um instante, aquilo enche um pedaço vazio.


E isso assusta.


Porque a gente aprende que merece muito…

mas, quando o coração tá cansado, até o pouco parece aconchego.


E aí eu volto pra mim…

pra essa mulher que sente demais, pensa demais… e, às vezes, só queria descansar.


Talvez eu ainda seja essa Alice…

meio perdida, meio sonhadora…

tentando encontrar um lugar onde ser feliz não pareça tão difícil.


Mas, no fundo…

eu ainda acredito.


Acredito que existe um caminho de volta pra mim mesma.

Pra essa versão que ria de coisas bobas, que sentia sem medo…

que não precisava se proteger o tempo todo.


E talvez…

o que eu mais queira agora

não seja encontrar alguém.


Seja me reencontrar.


Mesmo cansada.

Mesmo aos poucos.


Mas de um jeito que, um dia, eu possa voltar a rir…

de um cheiro de amaciante que nem faz sentido.


E ainda assim… achar aquilo tudo

incrivelmente leve.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Hoje eu escolho o perdão.

  Hoje eu escolho o perdão. Não como quem esquece, mas como quem decide não carregar mais. Eu me perdoo por tudo que fiz tentando acertar...