Capítulo Extra: O Princeso Terapêutico Autodiagnosticado™
Existe uma subespécie muito comum no Reino dos Princesos.
Ele não é só neutro.
Ele é “consciente”.
Ele não é só confuso.
Ele é “complexo”.
Ele não é só inconsistente.
Ele tem “questões”.
E aqui precisamos ser justas:
Ter TDAH é real.
Ter ansiedade é real.
Ter depressão é real.
Saúde mental é coisa séria.
O problema não é a condição.
É o uso da condição como salvo-conduto.
O Princeso Terapêutico™ vive no discurso da mente.
Ele fala de trauma.
Fala de bloqueio.
Fala de energia.
Fala de processo.
Fala de diagnóstico… que nunca vem com laudo.
Ele diz: — “Eu sou assim por causa disso.” — “Minha cabeça funciona diferente.” — “Eu não consigo ser constante.” — “Você precisa entender meu jeito.”
Mas observe uma coisa curiosa:
Ele tem foco para aquilo que interessa.
Ele tem disciplina para o que dá prazer.
Ele tem energia para o que alimenta o ego.
Mas quando é sobre responsabilidade afetiva…
vira sintoma.
Você mesma disse:
“Eu tenho TDAH. Eu tenho foco em pessoas.”
Exato.
Quem tem TDAH pode ter dificuldade de organização, rotina, regulação emocional…
Mas não perde caráter seletivamente.
Condição não é desculpa para falta de consideração.
E maturidade não é falar sobre saúde mental.
É tratar.
Quem realmente cuida da própria mente não usa ela como justificativa eterna.
Usa como ponto de partida para crescer.
O Princeso Terapêutico não quer se tratar.
Ele quer ser compreendido infinitamente.
Ele quer que você vire psicóloga, terapeuta, mãe emocional e tradutora dos próprios comportamentos.
Ele vive no discurso.
Mas quem vive só no discurso não constrói relação.
Constrói podcast interno.
E você não é audiência.
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