quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Retrospectiva de quem nunca foi feita para ficar

 Retrospectiva de quem nunca foi feita para ficar

Minha vida nunca foi linha reta.

Ela sempre foi estrada.

Com 4 anos, deixei um lugar para seguir minha família até Minas.

Ali fiquei até 2010. Cresci, aprendi, me formei em quem eu era naquele tempo.

Depois, Niterói me recebeu — e ali comecei outra versão de mim.

Em 2014 (ou por volta disso), cheguei a uma casa que não era só paredes.

Foram 11 anos vivendo histórias, dores, risos, perdas, recomeços.

Uma casa que me viu amadurecer, cair, levantar, amar, perder, curar.

Uma casa que segurou versões minhas que hoje já não existem mais.

Em 2025, eu saí.

Não porque faltava algo —

mas porque eu tinha crescido demais para caber ali.

E agora, mais uma mudança.

Mais uma vez encaixotando não só objetos,

mas memórias, cheiros, silêncios e despedidas invisíveis.

Eu nunca fui raiz fixa.

Sempre fui cigana de alma.

Daquelas que mudam quando o espírito pede estrada,

quando o corpo sente que o espaço já não sustenta quem se tornou.

Cada mudança levou algo de mim

— e deixou algo novo nascer.

Não mudo por instabilidade.

Mudo por fidelidade à minha própria transformação.

Se ficar dói, eu vou.

Se o lugar pesa, eu sigo.

Se a vida chama, eu respondo.

Minha história é feita de casas,

mas meu lar sempre fui eu.

E onde eu chegar,

eu reconstruo.

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